SAUDE - 04/12/2017 112 visualizações

Mitos e verdades sobre o câncer


Catolé do Rocha/PB

MITOS E VERDADES SOBRE O CÂNCER

O câncer ainda é uma doença enigmática e assustadora para quem recebe o diagnóstico. Para piorar, é cercada de muitos mitos. Quantas vezes não ouvimos algumas mulheres, por exemplo, dizendo que usar sutiã com arame provoca câncer de mama? Ou pessoas que fumam charutos dizendo que só o cigarro faz mal.

Quem toma anticoncepcional há anos ou não desgruda do celular, será que nunca se questionou se estes hábitos não são perigosos? E pessoas que guardam rancor não estariam também ajudando a doença a se desenvolver em si mesmas?

A seguir, especialistas do Hospital A. C. Camargo de São Paulo dizem o que é mito e verdade sobre o câncer.

1. Guardar rancor pode causar câncer.

MITO: não há relação sustentada pela ciência. Já sobre a doença, em si, estudos demonstram que lidar positivamente com a questão a partir do diagnóstico aumenta a imunidade e isso ajuda no tratamento proposto.

2. O câncer é hereditário.

PARCIALMENTE VERDADE: só uma minoria é hereditária. Em determinados tipos, alguns raros casos podem ser herdados, tal como no retinoblastoma, um tipo de câncer de olho que sempre ocorre em crianças. No entanto, existem alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis a fatores ambientais que podem provocar câncer.

3. O câncer é contagioso.

MITO: mesmo os cânceres causados por vírus não são contagiosos, ou seja, não passam de uma pessoa para a outra, por contato. No entanto, alguns vírus oncogênicos, isto é, capazes de produzir câncer, podem ser transmitidos por meio do contato sexual, de transfusões de sangue ou seringas contaminadas ao injetar drogas. Como exemplos de vírus carcinogênicos, destaque para o da hepatite B (câncer de fígado) e o HPV.

4. Todo tumor é câncer.

MITO: nem todo tumor é câncer. Tumor corresponde ao aumento de volume observado em qualquer parte do corpo. Quando se dá por crescimento do número de células, ele é chamado neoplasia que pode ser benigna ou maligna. Ao contrário do câncer, que é neoplasia maligna, as neoplasias benignas têm seu crescimento de forma organizada, em geral lento, e o tumor apresenta limites bem nítidos. Elas tampouco invadem os tecidos vizinhos ou desenvolvem metástases. Por exemplo, o lipoma e o mioma são tumores benignos.

5. O câncer pode ser prevenido.

VERDADE: é possível evitar diversos fatores associados à doença. Os causados pelo tabagismo e uso de bebidas alcoólicas podem ser prevenidos em sua totalidade. Evidências científicas sugerem que aproximadamente um terço das mortes por câncer está relacionado a neoplasias malignas causadas por fatores dietéticos. Além disso, muitos cânceres de pele podem ser prevenidos pela proteção contra os raios solares.

6. Animais também podem ter câncer.

VERDADE: muitos animais podem ter câncer, principalmente os domésticos. Cães e gatos apresentam câncer de forma muito semelhante à nossa e o tratamento indicado, muitas vezes, é também semelhante ao realizado em seres humanos.

7. O câncer de mama não acomete mulheres jovens.

MITO: o câncer de mama ocorre predominantemente em mulheres depois da menopausa, no entanto, o surgimento do câncer de mama pode ocorrer em mulheres antes mesmo de completarem os 40 anos (idade em que se é recomendada o início da realização da mamografia anualmente). Para piorar, tumores que ocorrem em mulheres jovens tendem a ser mais agressivos.

8. Durante a gestação não há chance de ter câncer de mama.

MITO: representa um número baixo dos casos, mas pode ocorrer. Seu diagnóstico muitas vezes é dificultado pelas alterações que ocorrem na mama da gestante (aumento de volume). É definido como câncer de mama durante a gestação quando ocorre dentro do período ou até 12 meses após o parto. O tratamento pode se iniciar ainda na gestação, com medicações quimioterápicas que não afetem o bebê, ou mesmo com a cirurgia que pode ser realizada neste mesmo período.

9. É possível ser mãe mesmo após o diagnóstico de um câncer de mama.

VERDADE: a gestação após o tratamento do câncer de mama é possível. Quanto mais jovem a paciente se tratar, maior será a probabilidade desta mulher voltar às funções ovarianas (ciclos menstruais) após o tratamento. Porém, deve-se evitar gestação nos primeiros dois anos após o tratamento (pelo risco de retorno da doença na mãe). Atualmente, existem opções que podem ser discutidas com o médico em caso de desejo de preservação de fertilidade antes do início do tratamento.

10. Anticoncepcional pode causar câncer de mama.

AINDA EM ESTUDO: infelizmente ainda não se tem resposta se pode ou não ser fator de risco para câncer de mama. Os anticoncepcionais têm sofrido muita modificação, dosagens menores, associações diferentes e ainda não há resultados do seu efeito após todas estas mudanças. O ideal é sempre conversar com o médico para que todos os prós e contras sejam esclarecidos.

11. Charutos e cachimbos não causam câncer como o cigarro comum.

MITO: todas as formas de consumo de tabaco são nocivas, em qualquer quantidade. Ao fumar a pessoa coloca dentro de seu organismo 4.700 substâncias tóxicas.

12. O uso constante de celular pode provocar câncer.

AINDA EM ESTUDO: alguns trabalhos apontam para uma possível relação com tumores do sistema nervoso central, porém há necessidade de se melhor fundamentar esta questão.

13. Se eu faço o autoexame de mamas todos os meses estou dispensada de fazer mamografia.

MITO: por meio do autoexame é possível perceber lesões somente a partir de 1 cm e, desta forma, a mamografia é o exame padrão-ouro e deve ser feito por todas as mulheres sem sintomas a partir dos 40 anos e com repetição anual.

14. Usar desodorantes antitranspirantes e/ou sutiãs com arame causam câncer de mama.

MITO: este se espalhou rapidamente via internet, mas não é verdade. O câncer de mama não tem relação com trauma, tipo de sutiã ou desodorantes. O que muitas vezes ocorre é que as mulheres que sofrem um trauma qualquer na mama, ao apalparem o local da batida percebem nódulos (bolinhas ou caroços) que nunca haviam percebido, mas que já estavam lá.

15. Exercícios podem prevenir o câncer.

VERDADE: trabalhos demonstram que a prática moderada de atividade física é um fator importante na prevenção de câncer.

16. Silicone causa câncer de mama.

MITO: silicone não causa câncer de mama. O que acontece é que toda cirurgia traz cicatrizes nas mamas que podem dificultar a visualização de pequenas imagens.

17. Ao entrar na menopausa posso ainda desenvolver câncer de mama.

VERDADE: o risco começa a aumentar após os 40 anos. Nódulos que aparecem após a menopausa são ainda mais suspeitos. É necessário procurar um mastologista para avaliar o caso.

18. Alimentos podem causar câncer.

AINDA EM ESTUDO: quando falamos de alimentação e câncer, muitas dúvidas surgem. Deve-se tomar muito cuidado com as informações que são passadas, pois nem sempre é algo que já foi comprovado cientificamente. O que especialistas afirmam é que a alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, pobre em açúcares, doces, gorduras e carne vermelha previne vários tipos de câncer.

19. Carne vermelha aumenta os riscos de se desenvolver câncer.

VERDADE: já é bem esclarecido que o consumo excessivo de carne vermelha, mais do que 500g de carne vermelha cozida por semana, aumenta em 35% o risco de câncer de intestino grosso e o consumo excessivo de embutidos (presunto, linguiça, salsicha) aumenta o risco em cerca de 50% de desenvolver este mesmo tipo de câncer. Os embutidos ainda aumentam risco de câncer de esôfago e estomago, por conterem nitrito como conservante.

20. Estar acima do peso aumenta as chances de se ter câncer.

VERDADE: o excesso de peso e a obesidade também são considerados fatores de risco para cânceres de mama, intestino, próstata e endométrio. Também é comprovado que o consumo de fibras auxilia na prevenção de vários tipos de câncer e na prevenção do câncer de intestino e mama - Fontes: Jefferson Luiz Gross, Maria do Socorro Maciel e Thais Manfrinato Miola, respectivamente diretor clínico, diretora de mastologia e nutricionista oncológica do Hospital A. C. Camargo de São Paulo.

Divulgação da UAPC

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