Destaques - 06/09/2018 84 visualizações

Frei Marcelino e o 7 de Setembro


Catolé do Rocha/PB

Frei Marcelino e o 7 de Setembro

Josivam Alves

Este ano, mais um 7 de Setembro sem Frei Marcelino de Santana. Ninguém mais do que ele participou ativamente de inúmeros desfiles ao lado da Banda Marcial do Colégio Técnico Dom Vital. Em virtude de sua criatividade, as ruas de Catolé do Rocha se transformavam numa grande festa cívica.

A presença do Frei tornou-se uma tradição desde a fundação do Colégio Dom Vital, há mais de 50 anos. Isso nos dá uma saudade sem fim, que machuca o coração do nosso povo. Não tem como esquecer aqueles momentos, em que o Frei, de braços abertos, em pé, no meio da avenida, olhava feliz sua querida Banda Marcial e dava as últimas orientações minutos antes de começar o desfile.

Verificava atentamente, sem perder os mínimos detalhes, se todos estavam em ordem. A voz de comando, com respeito e carinho, tocava a todos até a alma. E assim se dava todo o ritual, em que todos faziam, em nome da confiança, o que ele dizia: “descansar!”; “direita, volver!”; “esquerda, volver!”; “sentido!”. Na visão de todos, obedecer na busca de aprender para a vida não significava nenhuma subordinação. Foi um verdadeiro líder. Ele soube conduzir com maestria a juventude catoleense.

Assim, as calçadas não cabiam a multidão. Eram apenas os ultimatos, os acertos finais, o aquecimento. Os componentes, de peito pra frente, cabeça erguida, corpo retilíneo, aguardavam com orgulho as ordens de seu querido mestre para a largada de mais um desfile de 7 de setembro, em Catolé do Rocha. O Frei erguia os braços e acenava com as duas mãos para dar início ao desfile da maior banda marcial do sertão.

A banda brilhava pelo espetáculo que apresentava. Dava um verdadeiro show de competência, requinte e beleza. O povo aplaudia sem parar e o Frei sorria de tanta felicidade. Em todo dia 7 de setembro, o Frei sempre foi a pessoa mais esperada na cidade. Sua participação não se limitava somente à Banda Marcial do Colégio Técnico Dom Vital.

O Frei dava mais vida aos desfiles com seus inesquecíveis carros alegóricos. Com eles, explorava temas recorrentes, geralmente relacionados a fatos em evidência e às questões sociais, políticas e educacionais.

Os cartazes, as frases de efeito, as faixas, as ornamentações e as dramatizações, com personagens bem caracterizados, transmitiam as mensagens do Frei. Tinham a intenção de passar recados que despertassem o senso crítico e a reflexão.

Em todo dia 7 de setembro, logo cedo, os catoleenses começavam a perguntar uns aos outros: “E o Frei, já chegou?”; “alguém já viu o Frei hoje?”; “cadê o Frei?”; “o Frei já está em Catolé?”. E alguém haveria de responder: “Ele nunca falta”. Outro assegurava: “Já deve estar no Dom Vital ou em Irene Rocha”. Enfim, o Frei nunca faltava.

Quando o Frei chegava, a alegria se descortinava no rosto das pessoas. E isso se generalizava desde professores, estudantes até os moradores mais humildes da cidade e da zona rural. E tudo lembrava o velho refrão: “O Frei é do povo, e no meio do povo é o seu lugar”.

Catolé do Rocha, 6 de setembro de 2018

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