POLITICA - 10/09/2018 52 visualizações

Hoje comemoramos o feriado póstumo de um dos maiores políticos que Brejo dos Santos já teve, Livaldino Vieira (Galego Buzumbão).


Catolé do Rocha/PB

Hoje comemoramos o feriado póstumo de um dos maiores políticos que Brejo dos Santos já teve, Livaldino Vieira (Galego Buzumbão).

Texto de Josivam Alves
"Homem simples, humilde, porém decidido e ousado quando almejava concretizar seus intentos. Por maiores que fossem as dificuldades não hesitava enfrentá-las. Não temia desafios. Tinha objetivos bem definidos, nos momentos em que era preciso manifestar o desejo de resolver os problemas do seu povo.

Tendo sido eleito nas eleições de 1976, cumprira mandato com duração de seis anos. Foi decisão da Justiça Eleitoral para todo o Brasil, estendendo-se também aos eleitos em 1982. Naquela ocasião os gestores encaravam tempos mais difíceis, problemas maiores, principalmente com mandatos tão extensos.

Diante de tantas adversidades pelas quais passava o sertanejo, prefeitos peregrinavam constantemente rumo à capital, e, de pires na mão, perante as autoridades, imploravam migalhas para amenizar o sofrimento da população mais pobre.

Com missão tão nobre, em defesa da causa pública, não se pode negar que o maior destaque, à época, coube a Galego Buzumbão, prefeito do município de Brejo dos Santos, situado no semiárido, zona mais tórrida do sertão paraibano. Ele conseguiu o que até então ninguém havia conseguido. Nem o governador do Estado alcançara tal façanha. Portanto, leitor, detenha-se ao texto. Os próximos parágrafos serão esclarecedores.

Durante o mandato de prefeito, que se estende de 1º de janeiro de 1977 a 31 de dezembro de 1982, houve períodos de forte estiagem que castigaram municípios do interior. Como não havia, a exemplo de hoje, os programas sociais do governo federal, com a seca, a população sertaneja atacava as cidades em busca de comida.

Pobres famintos, sem chuva para produzir a própria subsistência, eram tachados pelas emissoras de rádio e pelos jornais de “os flagelados da seca”. Essa, a realidade vivida pelo sertão nordestino.

Com a fome, as ameaças de ataque tornavam-se cada vez mais iminentes. Várias cidades do interior chegaram a ser saqueadas. Arrombamentos de armazéns, supermercados e depósitos da antiga COBAL viraram rotina. Por isso, os prefeitos eram os primeiros a sofrer pressão para adoção imediata de medidas paliativas.

Por conta de situação deprimente, comum aos municípios do interior, e não tendo como solucionar sério problema, na esfera municipal, Buzumbão não perde tempo. Ainda cedo, partiu em busca de recursos. Foi à capital. No dia seguinte, pela manhã, antes de começar o expediente, já estava no pé da porta do Palácio da Redenção.

Indagado pelos seguranças do governo acerca de suas intenções, foi direto e muito sincero. Matuto no falar, mas com serenidade, focado no tema, expôs a situação de penúria de seu município, em consequência da seca. Ao levantar nobre questão, justificava veemente pedido de audiência com o governador Tarcísio de Miranda Burity, de quem, posteriormente, tornou-se amigo.

Recebido pelo chefe do executivo paraibano, em seu gabinete, o então gestor brejossantense, sem delongas, tratou da situação delicada vivida pela população: faltava água, comida e trabalho. Assim, pedia encarecidamente à autoridade maior do Estado que criasse um programa de emergência para deixar seu povo a salvo de tanto sofrimento.

Em resposta, o governador declarou não poder fazer nada. Frisou tratar-se de uma questão de competência do governo federal, que poderia ser resolvida através do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, ou da SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, com autorização do Ministério do Interior, a que tais órgãos eram subordinados.

Mesmo não conseguindo o que queria, não desistiu. Era homem de luta. Embora não tivesse quem lhe desse uma palavra, porque programa de emergência ainda não havia em parte alguma no Nordeste, não contou conversa. Sozinho, enfrentava tudo no peito e na raça.

Insistir sempre, desistir nunca, procurou o deputado federal Ademar Pereira e o deputado estadual Chico Pereira (ambos da ARENA), seus aliados. Disseram-lhe ser tempo perdido, em vão, uma vez que o presidente João Batista Figueiredo na tinha criado oficialmente o programa de emergência.

O prefeito Buzumbão não acreditou em ninguém. Acima de tudo estava sua força de vontade. Nada do que lhe disseram, convenceu. Partiu para Brasília.

Na capital federal não se preocupou em ir ao Congresso Nacional a procura de deputado ou senador. Passou a acreditar somente em si. Sem temor, a seu modo, e com base nas informações dadas pelo governador Burity, procurou diretamente o Ministério do Interior. Apresentou-se como prefeito da cidade de Brejo dos Santos, sertão da Paraíba, e pediu para falar com o ministro Mário Andreazza.

A secretária e os seguranças do ministro disseram-lhe que não tinha nenhuma audiência agendada, e que, assim, o ministro Andreazza não podia recebê-lo. Depois de ouvir calmamente tal resposta, disse que tinha vindo de longe, muito distante, de uma cidade chamada Brejo dos Santos, nos confins do Nordeste, um dos lugares esquecidos nas quebradas do sertão.

Ao continuar expondo a situação, o prefeito Buzumbão disse que já havia batido em todas as portas e janelas, peregrinado por todos os caminhos, falado com as maiores autoridades do seu estado, sem ser atendido, e que ali restava sua última esperança. Há vários dias lutava sem parar, sem ajuda de um cristão, com muita dificuldade, sozinho, enfrentando muito sofrimento.

Disse que não queria nada pra ele, pois graças a Deus tinha condição de fazer a feira para sua família. Apenas implorava clemência, e de mão estendida pedia ao governo algum adjutório para levar pro seu povo e amenizar um pouco suas necessidades. Lembrou que estava pedindo a quem tinha muito para dar um pouco a quem não tinha nada.

Após justificar sua atitude, declarou a disposição de dormir até no chão se fosse preciso, junto à porta do gabinete do ministro. Dito e com a intenção de cumprir, o prefeito Buzumbão não arredou o pé. Terminado o expediente, o ministro teria que passar pelo local onde se encontrava o prefeito. Não tendo escapatória, já muito tarde, e informado por assessores, após o cumprimento da agenda previamente estabelecida, o ministro Andreazza obrigou-se a receber o prefeito brejossantense.

Feita a exposição da situação de calamidade vivida pelo seu povo, em virtude de cruel seca no sertão, principalmente a de 1979, Buzumbão recebeu do ministro autorização de determinado número de vagas para alistamento imediato de moradores do município de Brejo dos Santos. Era um programa precursor. Implantava-se em Brejo dos Santos um programa de emergência do governo federal, muito antes de sua implantação oficial no Nordeste. O prefeito Buzumbão foi pioneiro.

Até aquele momento, nenhum governador ou outra autoridade superior havia conseguido programa de emergência para o Nordeste. Só o prefeito Galego Buzumbão para Brejo dos Santos. Essa proeza, veiculada 34 anos atrás pelas emissoras de rádio, revistas e jornais, ficara registrada para sempre nos anais da história. São feitos que não podem ser esquecidos, exemplos que ilustram forte legado para a posteridade, e que estão a servir de roteiro para os políticos e administradores de hoje".
5 comentários
22Você, Maria Edna Ferreira, Gilberto Torres de Oliveira e outras 19 pessoas
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Comentários
Jean Diniz
Jean Diniz Grande ser Humano Galego, nessa foto meu avô Nestor faz presente
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Gutierry Oliveira
Gutierry Oliveira
👏👏👏
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Gutierry Oliveira
Gutierry Oliveira Ele é o que está sentado ou o q estar de pé, Marcelo?
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Jean Diniz respondeu · 1 resposta
Neli Linhares
Neli Linhares O homem muito bom lembro dele saudade
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Jacirami Ferreira
Jacirami


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